A artista plástica Maria Valéria Roqui, de 44 anos, sabe bem como a falta de um diagnóstico preciso pode acabar com a vida escolar. Durante sua infância, ela foi considerada incapaz por não conseguir usar as letras corretamente, tanto ao falar quanto ao escrever. Com muito custo, ela chegou ao início do então colegial (hoje Ensino Médio), mas largou a escola. Só há dois anos, descobriu que o seu problema podia ser dislexia, após assistir ao filme Em seu Lugar, que trata do assunto. Maria Valéria procurou, então, a ajuda de um neurologista e, com a confirmação do quadro, voltou para escola. Hoje, ela freqüenta aulas no supletivo. “O trauma da infância, de ser vista como uma incapaz, só foi solucionado agora, mais de 30 anos depois. Mas, naquele tempo, não tínhamos acesso às mesmas informações de hoje.”
A percepção de que a falta de um diagnóstico preciso durante a infância prejudicou todo seu desenvolvimento na escola deixou Maria Valéria bem atenta para buscar soluções rápidas quando os filhos, Vinícius e Raíssa, também estavam abaixo do esperado na escola. “Seria muito mais fácil ocultar a existência de um problema e colocar a responsabilidade totalmente sobre eles, mas isso só ia frustá-los. Descobri que, no caso do garoto, o problema era uma auto-estima muito baixa, em razão de seu peso e de sua perspectiva de futuro.” Vinícius tem 12 anos, mas aparência física de um adolescente de pelo menos 16. Além disso, sonha em ser estilista e é estigmatizado pelos colegas que consideram a carreira uma profissão feminina. No caso da garota, o acompanhamento de um psicopedagogo e de uma psicóloga deram conta de que as dificuldades eram decorrentes da insatisfação pela separação dos pais, no ano passado. “Com terapia e muita conversa na escola, os problemas foram solucionados”, diz a artista plástica.
Fonte: http://www.integral.br/noticias/noticia.asp?noticia=38372
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